Não é segredo que George R.R. Martin não ficou convencido com o final de Game of Thrones na HBO. Para o autor, a conclusão chegou rápido demais, e ele sentiu que a série precisava de mais uma ou até duas temporadas para respirar e desenvolver com calma os capítulos finais da história. Mas o final da adaptação de sua obra mais aclamada não é o único que lhe deixou um gosto amargo na boca. Anos antes da controvérsia em torno da versão live-action de seus livros de sucesso, Martin já havia sido particularmente crítico do final de Lost, uma das séries de mistério e ficção científica mais influentes do início do século XXI.
Como muitos outros espectadores, como podemos ler em um artigo da New Yorker sobre a estreia da primeira temporada de Game of Thrones, o escritor americano ficou indignado com o final místico da série: "Assistíamos toda semana tentando entender, e, conforme se tornava cada vez mais complexo, eu repetia: 'É melhor que eles tenham algo bom planejado para o final. Esse final tem que valer a pena.' E então, quando chegamos ao último episódio, me senti completamente enganado." Sua insatisfação com o final foi tão profunda que ele não hesitou em expressar seu medo de que um dia seus leitores sentissem que ele os havia decepcionado, assim como Lost o havia decepcionado.
“Estou vivendo meu sonho aqui. Tenho todos esses leitores esperando pelo livro. Quero dar a eles algo grandioso. E se eu estragar tudo no final? E se eu fizer algo como em Lost? Aí eles virão atrás de mim com forcados e tochas”, acrescentou Martin. O que ele talvez não soubesse na época era que seus fãs não viriam atrás dele com forcados e tochas, mas sim com uma máquina de escrever para obrigá-lo a terminar Os Ventos do Inverno e Um Sonho de Primavera, os dois últimos romances de As Crônicas de Gelo e Fogo, que ainda aguardam publicação anos depois do fim de Game of Thrones.
Um final não tão controverso quanto o de Game of Thrones
Voltando a Lost, é verdade que, nos dias que se seguiram à exibição do episódio final, surgiu uma onda considerável de indignação. Muitos espectadores que, como Martin, investiram anos desenvolvendo teorias cada vez mais complexas, sentiram que a série não recompensou esse nível de envolvimento. A sensação geral era de que, depois de tanto mistério acumulado, a resolução não ofereceu respostas claras nem uma conclusão que justificasse a complexidade da jornada. Mas o tempo curou algumas feridas e, embora não seja um final perfeito, hoje é mais bem visto do que o de Game of Thrones.
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Fonte original: IGN Brasil.

