Ao ouvir o nome Jonathan Blow a primeira coisa que me vem à mente é: quebra-cabeças mirabolantes. A mente por trás de Braid e The Witness desafia jogadores a usar o raciocínio e encontrar a lógica por trás de cada puzzle proposto. Aqui não tem como usar a força bruta para resolver os enigmas. Em Order of the Sinking Star, o desenvolvedor parece atingir sua melhor forma.

Sendo assim, o jogo já começa um pouco mais aconchegante, mas não menos enigmático. Somos apresentados às mecânicas básicas e, poucos minutos depois, estamos livres para explorar quatro mundos distintos. Na demo, apenas dois estão acessíveis, considerados pela própria narração do jogo como mais fáceis ou, talvez, mais introdutórios. Fui para o reino do norte (mas tinha a liberdade de ir para o reino do leste também na versão da demo e imagino que na versão final você poderá escolher por onde quer começar) e logo fui apresentado a novos personagens, e é aqui que a magia de Order of the Sinking Star se mostra.

Cada personagem tem uma habilidade própria. Na área que joguei, um consegue empurrar pedras, outra consegue puxar pedras, outro consegue trocar de lugar com objetos do cenário. Uma série de quebra-cabeças introdutórios deixa você mais à vontade com a mecânica de cada um, e logo você se vê em situações que está com os dois personagens, talvez os três, e deve usar suas particularidades para resolver os puzzles. O meu preferido foi o que troca de lugar com objetos, pois ele acaba permitindo soluções bastante criativas.

Não posso deixar de dizer que me vi travado em alguns quebra-cabeças olhando para a tela por minutos até visualizar a solução, que às vezes era um tanto complexa, mas outras vezes estava bem na minha frente o tempo todo. Mas o sentimento de resolver os puzzles é ótimo e sempre dá aquela vontade de fazer mais umzinho antes de encerrar a sessão e quando você se dá conta já está de madrugada.

A movimentação dos personagens achei um pouco difícil de se acostumar, mas talvez seja uma questão da demo que será melhorada na versão final. Basicamente, quando você dá um input de andar, a animação do personagem é longa, o que dá uma sensação de peso, quase como um lag. Em determinados momentos também senti que o jogo reagiu muito fortemente ao comando quando perto de um objeto de interação. Por exemplo, um leve toque para o lado fazia, às vezes, o personagem empurrar uma pedra por uma longa distância quando a intenção era apenas movê-la um pouco.

Nada que não pudesse ser corrigido pelo botão de retroceder. Como um bom jogo de quebra-cabeça, pode ser que você acabe se dando um soft lock caso mova objetos de maneira incorreta ou se coloque em uma posição em que não há mais solução. Por isso, o jogo oferece este botão de desfazer, assim como a opção de resetar a fase como um todo. Inclusive, caso você queira desfazer um reset, também pode, o que achei interessantíssimo.

Em outro reino me deparei com outros personagens, mas não consegui avançar depois de completar uma das primeiras rotas de quebra-cabeça daquele lado, não sei se por incompetência minha ou por limitação da demo. Sua mecânica principal era relacionada a um espelho, permitindo que ele pudesse trocar de lugar com o próprio reflexo que se manifesta como um clone luminoso, podendo chegar a diferentes ilhas ou locais para resolver os puzzles. Imagino que demais personagens daquela área trariam ainda mais mecânicas.

No quesito narrativo, pouco é mostrado durante a demo de Order of the Sinking Star, mas suficiente para me deixar intrigado sobre a história desse reinos com seus mundos mágicos. Inquisidores, cavaleiros, magos, ladrões, aprisionamentos e armadilhas são citados à torto e à direito, o que sinaliza uma trama política escondida sob os engenhosos quebra-cabeças de Jonathan Blow. Já foi estabelecido que em algum momento os quatro mundos colidem, então imagino o que isso significaria narrativamente, mas mais do que isso, mecanicamente com a mistura dos poderes de cada reino.

Visualmente falando, Order of the Sinking Star já está muito mais bonito que no trailer de revelação e que nas imagens acima, com modelos de personagens mais detalhados, mas ainda fica evidente que serão mais polidos com o passar do tempo. Os mapas em si já estão bastante refinados, trazendo cores vivas e riqueza de detalhes para os olhares mais atentos. Eu particularmente gostei de como o design do mundo destoa de The Witness e de Braid. Nenhuma experiência é muito similar, o que é ótimo.

Order of the Sinking Star promete mais de mil quebra-cabeças feitos à mão e, honestamente, eu não duvido nada disso vindo de Jonathan Blow. Por enquanto o jogo segue sem data de lançamento prevista, mas inegavelmente quando for lançado será um novo clássico a ser lembrado pelos fãs de games de quebra-cabeça. Se você quer tentar mergulhar nesse mundo, o jogo acaba de ganhar uma demo como parte do Steam Next Fest.

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Fonte original: IGN Brasil.