Particularmente, eu prefiro She-Ra a He-Man, e, por mais que eu não tenha crescido com a icônica animação da década de 1980, é inegável a influência do herói de sunga e chanel loiro na cultura pop, ainda mais por meio de memes. Mestres do Universo é a tentativa de fazer He-Man “cool” novamente, dessa vez para uma nova geração que com certeza cresceu com os pais falando sobre a Espada do Poder. Felizmente, esse remake continua sendo tão brega quanto o desenho antigo.
Adam (Nicholas Galitzine) é o príncipe de Eternia, descendente de uma linha de heróis que carregam a Espada do Poder, mas está longe de ser alguém do tipo. Com a chegada de Esqueleto ao planeta, ele é enviado para a Terra com a arma, onde fica por diversos anos até que finalmente a encontra em uma loja de quadrinhos e, então, precisa voltar a Eternia para salvar o reino.
Mestres do Universo não tem medo de ser a piada
Uma das grandes preocupações com o live-action de He-Man era a abordagem que escolheriam para a história, ainda mais que seria estranho ver Adam sem sua icônica “armadura” — ou vê-lo com ela em uma adaptação com tom mais sério. Com a chegada do trailer, no entanto, isso parecia ter sido resolvido, já queescolheram um caminho mais cômico e leve.
A decisão do elenco também foi surpreendente, visto que Camila Mendes e Nicholas Galitzine, nomes que provavelmente nenhum adulto com mais de 40 anos de idade reconheceria, viveriam Teela e Adam, respectivamente. Então, exatamente, para quem é esse filme? Minha resposta: públicos que gostam de He-Man e aqueles que só querem ver a atriz de Riverdale e o ator de Uma Ideia de Você. Por algum motivo, isso funciona.
Galitzine tem um tom cômico incrível como Adam, que já era alguém diferente em Eternia e se torna ainda mais peculiar quando chega à Terra e, posteriormente, retorna ao planeta natal. O príncipe é um pária, mas é exatamente sua experiência nesses dois locais que o torna tão especial e o escolhido para empunhar a Espada do Poder. O roteiro não tem dó de ensinar o protagonista a virar herói, colocando-o em situações cômicas, zoando o figurino e até brincando com algumas questões da trama da animação.
Mendes, por outro lado, já proporciona algo a mais para fãs brasileiros, justamente por ser filha de brasileiros, frequentemente falando em português em entrevistas e vídeos. Ver uma espécie de representatividade do país e em especial como uma personagem incrivelmente ativa nas cenas de ação é, realmente, um deleite.
Até Jared Leto, um dos motivos de preocupação do filme, visto que toda produção que toca é uma bomba em crítica, está incrível como o personagem (talvez justamente por não vermos o rosto do ator). O vilão é melodramático, birrento e, felizmente, apenas mau. Não há uma história de origem rebuscada do porquê ele quer a Espada do Poder ou a dominação de Eternia: ele só é o cara mau e está tudo bem. O ator também tem um timing cômico acurado e sua risada como o personagem é bem parecida com a da animação, por mais que tenha um toque de Coringa no final.
Entre outros destaques, Idris Elba como mentor parece ter se divertido nas gravações, já que seu personagem é cheio de frases de efeito que adicionam à breguice de He-Man que Mestres do Universo precisava. No entanto, fico triste por não ter visto o mesmo tempo de tela com Alison Brie e Morena Baccarin como Maligna e Feiticeira, respectivamente. Por mais que Feiticeira seja apenas uma mentora, Maligna é deixada de lado no quesito de desenvolvimento, e todas as cenas em que aparece são simplistas ao extremo, sempre mandando outros personagens irem atrás de Adam ou então sendo agredida por Esqueleto de algum modo. Claro, isso é basicamente o que ela fazia na animação, mas poderia ter algo a mais.
Servindo mais como uma homenagem aos anos 1980, Mestres do Universo é recheado de referências da década, como quadrinhos, jogos, action figures e até a trilha sonora, que conta com “Boys Don’t Cry” da banda britânica The Cure e até “What’s Going On?”, de Janis Joplin, música usada para o infame meme de He-Man. Há também um momento bem especial para os saudosos da adaptação de 1987. Prepare-se!
Para deixar ainda mais evidente essa homenagem ao He-Man colorido, o filme não economiza nas cores e saturação, um alívio na onda de projetos cinzas de hoje em dia. No entanto, talvez seja melhor não ficar tão perto da tela enquanto Adam e Teela estiverem viajando entre a Terra e Eternia…
Mestres do Universo abraça a essência brega, leve e colorida da animação original, sem medo de rir de si mesmo, com piadas, momentos engraçados e muita vergonha alheia. O elenco surpreende, mesmo que ele seja pensado para uma geração mais nova que pode não conhecer o desenho, mas ainda assim vai satisfazer os fãs mais assíduos de He-Man.
Fonte original: IGN Brasil.
