Jim Lee, o presidente da DC Comics, descreveu LEGO Batman: Legacy of The Dark Knight como uma “carta de amor” aos fãs do Homem-Morcego e, após jogar o novo título da TT Games, concordo plenamente com essa afirmação. O quarto jogo da franquia consegue ultrapassar a clássica fórmula de seus antecessores ao oferecer uma imersão completa à complexa cidade de Gotham e destrinchar o legado do Batman em uma história original, épica e divertida.
O jogo abraça os antigos jogadores ao mesmo tempo que cria um ambiente propício para conquistar o novo público. Pela primeira vez, é possível escolher o grau de dificuldade, que varia entre três níveis: Clássico, Cruzado Encapuzado, e Cavaleiro das Trevas, nos quais os combates se tornam mais complexos.
Legacy of The Dark Knight possui uma história original, que faz referências a várias obras do Batman, principalmente à trilogia Cavaleiro das Trevas, dirigida por Christopher Nolan. Logo no início, o pequeno Bruce Wayne tem que enfrentar o inevitável do seu destino conhecido por todos, que é testemunhar a morte de seus pais.
A narrativa é construída para que o jogador, assim como o Bruce, evolua no seu caminho para se tornar o protetor da cidade de Gotham. A narrativa passa pelas diferentes fases da vida de Bruce Wayne, desde uma criança na Mansão Wayne, em seguida o treinamento para se tornar um ninja; depois, a sua volta para a cidade como um jovem ainda inseguro e a trajetória até se tornar um herói mais maduro e confiante e, por fim, se tornar uma espécie de pai para Robin e Batgirl.
Uma gama de vilões compõe a trama, que sabe muito bem explorar os criminosos de Gotham City e as excentricidades de cada um. Faz falta poder jogar como eles, mas o jogo define a sua centralidade na história do Batman, então poderia não fazer muito sentido estar do outro lado da jogada.
Os jogos LEGO possuem um tom cômico característico, e o novo título da franquia abraça o humor e transforma a história do Homem-Morcego, por muitas vezes sombria, em motivo para dar risada. As cutscenes, além de serem muito bem escritas, apresentam elementos de interatividade, seja na escolha de diálogos ou para dar continuidade ao desafio.
É um desafio inovar em apresentar uma história que já é amplamente difundida na cultura pop, como é o caso do Batman. É notável que o enredo desenvolvido para LEGO Batman: Legacy of The Dark Knight é fruto de uma vasta pesquisa sobre a história do personagem. Na ambientação da cidade de Gotham, nos trajes, nos veículos, nas falas, é possível identificar alguma referência, seja ela dos quadrinhos, dos filmes, das animações ou de videogames.
O jogo é, de fato, um prato cheio para os fãs do morcego, que vão encontrar alusões ao universo da DC Comics a todo momento. No entanto, o game convida a conhecer mais o super-herói, então não é um problema caso o jogador não seja o maior entusiasta do Batman.
Ao longo das missões, o jogador vai redescobrir nomes importantes da história do Batman, como Jim Gordon, Mulher-Gato, o Robin e outros que vão compor a “bat-family”. Como a proposta dos jogos LEGO é ter sempre o co-op local, você poderá alternar sempre entre os dois protagonistas da fase. Diferentemente dos títulos anteriores da franquia, que contavam com dezenas de personagens jogáveis, em Legacy of The Dark Knight são somente sete.
A redução dos personagens é muito bem-vinda, porque traz consigo uma personalização que os torna bem diferentes um do outro. Cada um possui dois gadgets, ferramentas específicas que contribuem para que a dupla seja essencial para desvendar as fases. A exemplo, o Batman possui o batarangue e a batgarra. A nova mecânica de progressão das ferramentas contribui bastante para que o combate e a gameplay evoluam de acordo com o andamento da história. Os jogadores precisam encontrar as cápsulas da Waynetech, utilizadas para o upgrade das habilidades, que estão espalhadas por Gotham City e também nas missões.
A cada missão concluída, blocos dourados são coletados e podem ser usados para aprimorar os recursos de combate e coleta, proporcionando a personalização da jogabilidade e a criação de novos combos durante as lutas.
Não seria um jogo LEGO sem os icônicos power bricks, também conhecidos como blocos vermelhos, que podem ser utilizados para mudar as cores e efeitos de trajes e veículos. Nas fases, sempre terá um deles a ser descoberto, mas o jogador também pode encontrá-los à venda na loja do Bat-Mirim, repleta também de itens como trajes especiais e decorações para a bat-caverna.
Bem-vindo de volta, combate Arkham
O combate nunca foi o protagonista dos jogos LEGO e agora, pela primeira vez na franquia, as lutas são mais do que apenas apertar um botão para bater. Bob Scott, diretor de cinematografia, revelou em entrevista ao IGN Brasil que a série Batman: Arkham foi uma das inspirações para o desenvolvimento de LEGO Batman: Legacy of The Dark Knight. “Os jogos Arkham eram tão grandes e uma parte do mundo do Batman tão amada. Nós precisávamos usá-los como referência, e nós queríamos isso”, disse Scott.
A influência dos combates dos jogos desenvolvidos pela Rocksteady é gritante, com combinações de ataques furtivos, esquiva, combos, contra-ataque ágil e finalizações. As lutas se tornaram uma parte bem mais dinâmica e interessante da gameplay e, para além da inspiração em Arkham, o jogo consegue trazer originalidade em introduzir os gadgets como recursos específicos nos combates, trazendo uma maior variedade de possibilidades.
A sombria Gotham City
Se a sua primeira referência dos jogos da franquia foi LEGO Batman: The Videogame (2008), vai sentir uma diferença discrepante de ambientação e as possibilidades de exploração da cidade de Gotham. Em Legacy of The Dark Knight, a cidade é um mundo aberto completamente explorável e se mantém como uma das grandes estrelas do jogo.
No total, são quatro ilhas interligadas por pontes que o jogador pode explorar livremente, seja planando com as asas de morcego abertas ou dirigindo carros icônicos como o Bat-caminhão-monstro.
Um dos pontos principais que tornam Legacy of The Dark Knight muito mais imersivo e real é que não tem uma diferença de gameplay entre o modo história e o mundo aberto. Entre missões, o jogador pode escolher se vai dar continuidade para o problema ou enfrentar o crime e outros desafios pela cidade. Alertas da Delegacia de Polícia de Gotham City aparecem constantemente na tela para avisar sobre intercorrências que estão acontecendo, assim como vilões também podem se comunicar diretamente com os personagens.
No final, você não precisa seguir uma trajetória linear, e sim explorar a cidade enquanto completa a história do jogo, o que acaba trazendo uma longevidade para a gameplay. Ao concluir algumas missões, é possível também desbloquear side quests das mais variadas pela cidade, o que contribui para o jogador querer investigar cada canto de Gotham. A experiência de poder escalar os pontos altos da cidade, como prédios e antenas, é demais; a visão panorâmica de Gotham é surreal. A atenção aos detalhes impressiona, além da cidade estar repleta de referências à DC, as construções são muito detalhadas e distintas umas das outras. Uma pena que as áreas dentro dos prédios sejam quase inexistentes, com pouquíssimas ressalvas.
Constam como lugares inacessíveis no mundo aberto também a Mansão Wayne e o Asilo Arkham. Apesar de existirem pontes que ligam as duas localidades ao norte de Gotham, não é possível dirigir até lá. É uma pena que a Mansão não seja um local jogável em nenhum momento do game.
Esconderijo do morcego
A Batcaverna é enorme e o lar definitivo de toda a família Batman. É no esconderijo subterrâneo de Bruce Wayne que a coleção de veículos e trajes de todos os personagens jogáveis é exposta, assim como também o Batcomputador, em que é possível revisitar as missões.
O mais legal do esconderijo do Batman é que o jogador pode personalizar algumas áreas que possuem o piso LEGO com móveis desbloqueáveis em missões ou comprados na loja. Tem muita variedade e permite uma maior criatividade na decoração da Batcaverna.
Outro ponto positivo são as possibilidades de expansão, em que é possível adicionar construções na caverna, como um laboratório ou academia, também personalizáveis.
Além disso, tem um quadro de decoração enorme de LEGO, que faz referência ao set vendido nas lojas, que é montado com base na evolução dos desafios cumpridos in-game.
A história de LEGO Batman: Legacy of The Dark Knight é épica e, ao terminar a trama, fica aquela sensação de querer mais.
Há muito o que desbloquear na cidade após a conclusão do modo história, como as pequenas missões, a coleção de trajes e veículos, evoluir a batcaverna etc. Afinal, são 100 trajes, 30 veículos, 23 blocos vermelhos, 30 blocos dourados, 200 cápsulas da e 170 troféus. São muitos elementos para obter e completar a coleção, pode ser uma tarefa árdua.
É interessante que seja possível rejogar as missões por partes, caso você não tenha encontrado todos os baús da Waynetech ou os colecionáveis. No entanto, ao repetir as fases, cutscenes importantes que acontecem entre missões acabam se perdendo, e só é possível retomá-las se o jogador começar um outro save, o que é um ponto bem negativo dependendo do momento que deseja revisitar.
LEGO Batman: Legacy of The Dark Knight consegue ultrapassar a clássica fórmula dos outros jogos da franquia ao oferecer uma imersão completa à complexa cidade de Gotham e destrinchar o legado do Batman em uma história original, épica e divertida. É uma “carta de amor” aos fãs do Homem-Morcego e honra o legado do Cavaleiro das Trevas. O lançamento oficial de LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight acontece em 22 de maio 2026, para PlayStation 5, Xbox Series X|S, e PC. Acesso antecipado da Edição Deluxe estará disponível a partir de 19 de maio.
Fonte original: IGN Brasil.
