Dez anos após o lançamento de The Last Guardian, Fumito Ueda retorna com uma nova obra, desta vez no gênero de ficção científica. gen ATLAS já conquistou imeditamente a atenção daqueles que cresceram com Shadow of the Colossus, e isso se deve, mais uma vez, à aparente abordagem pessoal, solitária e reflexiva da história. Contudo, apesar do novo trailer exibido durante o Summer Game Fest, ainda há muito a descobrir. O site parceiro 3D Juegos teve a oportunidade de conversar com o próprio Fumito Ueda para obter respostas às principais perguntas sobre seu novo jogo para PC, Xbox Series X/S e PS5.
Da fantasia à ficção científica
Os primeiros vislumbres de gen ATLAS nos mostraram um mundo vasto, desolado e deserto. O protagonista (um ser humanoide) parece imerso em uma aventura solitária, tendo como único companheiro seu mecha. Alguns dos cenários lembram as melhores paisagens de Evangelion, e é impossível não pensar em toda a história dos mechas, desde a década de 1950 até os dias atuais. Então, que tipo de mundo é esse? Qual direção o criador tomou? Ação pura e desenfreada ou o estilo melancólico de Hideaki Anno? A resposta é simples: o seu próprio.
"Então, quando comecei a pensar no que faria a seguir, me concentrei no tema dos robôs, porque sinto que muitos de nós gostamos de assistir ou consumir entretenimento que apresente robôs, sejam eles robôs gigantes ou robôs menores. Este projeto é o culminar e uma mistura de todas as experiências, histórias e trabalhos que encontrei até o momento."
Acostumados a mundos de fantasia, a mudança de tema gera tanta surpresa e entusiasmo quanto questionamentos. Que tipo de história o criador quer nos contar? Segundo ele, é simplesmente outra maneira de contar uma jornada, e a mudança não significa que não encontraremos as características mágicas que permeiam e definem seus jogos.
"No fim das contas, o que tento criar é um mundo que pareça realmente existir. Portanto, escolher fantasia ou ficção científica é simplesmente uma maneira diferente de atingir esse objetivo. Honestamente, para mim, não há muita diferença entre optar pelo caminho da fantasia ou pelo da ficção científica", explicou. Para Ueda, o desafio não é o tema, mas sim gerar um mundo que pareça realista.
"A verdadeira visão, e também o verdadeiro desafio, é garantir que este mundo pareça crível, como se pudesse existir na vida real. Trata-se de encontrar a maneira certa de contar essa história e garantir que tudo seja consistente e verdadeiro dentro das regras desse universo."
Como funciona Gen Atlas
Nesse universo, parte do foco da história está na relação entre o protagonista e seu robô. "Nesse caso, tanto o personagem humanoide principal quanto o robô serão personagens entre os quais você poderá alternar e controlar. O robô não será necessariamente o mesmo tipo de NPC que apareceu nos meus jogos anteriores. Nesse sentido, acho que a relação ou o senso de companheirismo que você experimentará será um pouco diferente do que você teve nesses títulos."
Entre as novidades que o jogo apresenta em comparação com os títulos anteriores de Fumito Ueda, está sem dúvida o uso de armas de fogo. Como ele compartilhou, era algo que sempre quis implementar, mas que não parecia natural em outros jogos.
"Quanto ao porquê de fazer isso aqui, e se agora posso fazer algo que não podia antes, a resposta também é sim. Neste caso, atirar é apenas uma das muitas mecânicas que estarão disponíveis para o jogador. No entanto, o que realmente importa é o momento certo e a forma como elas são implementadas. Tem que parecer certo, tem que parecer natural. Só assim faz sentido que eu possa usar uma arma e atirar nos inimigos como parte da experiência de jogo."
O dilema de Fumito Ueda e os videogames
Todos os jogos de Fumito Ueda oferecem uma experiência reflexiva, algo a que você dedica tempo e atenção. No entanto, vivemos em uma época em que o consumo de videogames é marcado por tendências frenéticas. Como um criativo com uma identidade singular se adaptou ao contexto?
"Bem, a resposta curta seria esta: qualquer pessoa, até mesmo todos nesta sala, provavelmente gostaria de jogar mais videogames. E nossa esperança, de certa forma, seria que cada jogo pudesse ser concluído em um tempo muito curto. Dessa forma, você poderia consumir mais jogos; ou seja, a quantidade aumentaria se cada jogo fosse projetado para ser jogado em menos tempo", começou ele a explicar. "Mas a realidade não é assim".
"Acho que existe um dilema constante entre os desenvolvedores de videogames: por um lado, o que torna uma experiência verdadeiramente excelente; por outro, como os preços dos jogos são definidos e se o projeto é viável como negócio. Portanto, existe todo um ecossistema de fatores que os desenvolvedores precisam considerar ao criar um jogo."
"Como criador, o mesmo dilema surge novamente: consigo realmente proporcionar essa experiência em um período mais curto? E é aí que acredito que isso afeta não apenas os videogames, mas também o cinema e outras mídias que fazem parte da indústria do entretenimento em geral. É um problema muito difícil de resolver e algo sobre o qual precisamos refletir constantemente. Não acho que exista uma única resposta certa ou definitiva."
Por mim, Fumito Ueda revelou mais alguns detalhes sobre o aguardado jogo. "A ideia principal é que o personagem humanoide, com a ajuda dos robôs, transformará o mundo ao seu redor. Como você provavelmente já percebeu, existem certas instalações ou estruturas que foram abandonadas. Elas precisam ser regeneradas, restauradas ou eliminadas, e isso faz parte do que o jogador fará ao longo da aventura. Em outras palavras, essa tarefa constitui uma parte importante da progressão do jogo."
Por enquanto, gen ATLAS ainda não tem uma data de lançamento.
Enquanto gen ATLAS não é lançado, que tal aproveitar esta promoção de Shadow of the Colossus Remake?
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Fonte original: IGN Brasil.

