O gamer profissional parece estar finalmente recebendo reconhecimento de pessoas que não estão apenas dentro da bolha dos jogos eletrônicos. O que por muito tempo foi tratado como hobby, sonho distante ou aposta arriscada agora começa a ter espaço como uma carreira legítima e cada vez mais estruturada dentro do imaginário popular.

Essa mudança de paradigma aparece com força em uma nova pesquisa global da Logitech G, que ouviu 18 mil adultos em 12 países e mediu a percepção do público sobre esports e carreiras no gaming profissional.

Segundo o levantamento, que o IGN Brasil teve a oportunidade de conferir em primeira mão, 51% dos entrevistados no mundo enxergam os esports como uma carreira profissional legítima. Entre a Geração Z, esse número sobe para 67%, enquanto 60% dos Millennials também concordam com essa visão.

Para Leandro Rocha, gerente de produtos da Logitech G no Brasil, essa virada está diretamente ligada ao crescimento e maturação do setor nos últimos anos.

“Hoje o mercado de games cresce vários dígitos todo ano. Isso o torna atraente para marcas endêmicas ou não. Vemos muitas marcas não endêmicas investindo para fomentar o cenário, o que ajuda a trazer visibilidade, ajuda as organizações a crescerem, assim como campeonatos e premiações”.

O estudo também mostra que a discussão sobre esports já não se limita ao entretenimento. No Brasil, 82,73% dos entrevistados defendem a criação de caminhos mais formais para carreiras em esports e games profissionais. Além disso, 61,67% acreditam que escolas deveriam incluir aulas de esports no currículo, assim como já acontece com esportes tradicionais.

A profissionalização do setor passa por educação, estrutura, treinamento, apoio familiar, acesso a equipamentos e visibilidade para trajetórias que antes pareciam improváveis para grande parte da sociedade. Segundo Leandro, a Logitech G busca atuar justamente nesses pontos.

“Como marca endêmica que está há décadas nesse cenário, apoiamos de diversas formas que vão além do financeiro. Só No Brasil, temos parcerias com a FERJEE, patrocinamos o campeonato Rainhas do Clutch para dar mais visibilidade ao cenário feminino, apoiamos projetos como o Projeto Educa, AfroGames e GAMEscola, que trazem suporte e educação infantil”.

Apesar do avanço na percepção pública, a pesquisa também mostra que ainda existe uma distância entre reconhecer o valor do esports e incentivar alguém próximo a seguir essa carreira. Enquanto 19,60% dos brasileiros afirmam que recomendariam uma trajetória na área da saúde para filhos ou jovens próximos, apenas 4,60% fariam o mesmo em relação ao gaming profissional.

A falta de apoio familiar e social aparece como uma das principais barreiras para quem deseja seguir esse caminho. Segundo o levantamento, 44,73% dos brasileiros veem esse fator como o maior obstáculo para uma carreira no gaming profissional. Em nível global, a percepção de que o gaming ainda é visto apenas como hobby também pesa, já que 46% dos respondentes dos 12 países compartilham essa visão.

Para Leandro, contar histórias reais de jogadores e criadores é uma forma de reduzir essa resistência. Ele cita casos como o de Dav1zera, jovem jogador de Counter-Strike acompanhado de perto pela família, e Blackoutz, um dos principais nomes brasileiros de Fortnite, cuja trajetória ajudou a transformar a percepção dentro de casa.

“Conforme os pais veem o crescimento e o suporte da comunidade, ganham confiança de que isso pode ser uma história real para o jovem. Contar histórias, tanto as de sucesso quanto as que não foram, é fundamental para nivelar a experiência”.

Outro ponto forte da pesquisa está na relação entre esports e esportes tradicionais. Globalmente, 37% dos entrevistados defendem a inclusão dos esports como modalidade olímpica. Entre a Geração Z, o número sobe para 49%. No Brasil, a adesão é ainda maior: 59,27% acreditam que os esports deveriam estar presentes ao lado de modalidades tradicionais nos Jogos Olímpicos.

Leandro vê essa aproximação com eventos globais como parte de um processo natural. “A audiência tem aumentado muito. No esporte tradicional, se você é santista, talvez não torça para o rival no mundial; no esports, o brasileiro torce para a FURIA, Red Canids ou MIBR se eles estiverem representando o país”.

Mesmo com o entusiasmo, a consolidação desse mercado ainda depende de infraestrutura. A pesquisa aponta que os brasileiros enxergam diferentes caminhos para tornar o gaming profissional mais respeitado. 54,33% citam a inclusão em grandes eventos esportivos globais, 42,93% defendem mais centros profissionais de treinamento, 42,20% apontam maior regulamentação e governança, e 36,13% destacam caminhos educacionais mais claros.

A pesquisa da Logitech G não indica que todos os obstáculos foram superados. Ela mostra que os esports vivem um momento de transição. A carreira de gamer profissional já é vista como legítima por boa parte da população, especialmente entre as gerações mais jovens, mas ainda enfrenta resistência quando a discussão passa do reconhecimento abstrato para a escolha concreta de futuro profissional.

É justamente nesse intervalo que a mudança de paradigma acontece. O gamer profissional deixou de ser visto apenas como alguém que joga por diversão e passou a ser reconhecido como atleta, criador, comunicador, empreendedor e profissional de uma indústria em expansão. Ainda há dúvidas, barreiras financeiras, falta de apoio familiar e caminhos de formação pouco claros. Mas os dados mostram que a conversa mudou.

Para Leandro, o futuro do setor depende de um esforço conjunto entre marcas, imprensa, organizações e comunidade. A meta, segundo ele, é reduzir as barreiras de entrada e abrir espaço para que mais pessoas enxerguem os games como um mercado possível.

“A Logitech G tem paixão por fomentar o cenário. É um trabalho diário entre marca, imprensa e organizações para garantir que as barreiras de entrada sejam cada vez menores. Nosso compromisso é garantir acesso a equipamentos de alto nível para que mais pessoas entrem nesse mercado que tem um potencial gigante pela frente”.

Inscreva-se no canal do IGN Brasil no Youtube e visite as nossas páginas no Facebook, Twitter, BlueSky, Threads, Instagram e Twitch! | Siga Bruno Renzi no Instagram e Backloggd

Fonte original: IGN Brasil.