É fácil sentir falta daquelas séries de ficção científica dos anos 90 e 2000 em que os roteiristas tinham liberdade para experimentar fora da narrativa principal. Eram episódios independentes, que permitiam a qualquer espectador começar a assistir sem se perder em tramas complexas. Décadas depois, elas ainda oferecem histórias fantásticas sem obrigar as pessoas a maratonas intermináveis. Graças a isso, Hideo Kojima pôde recentemente assistir a vários episódios individuais de Arquivo X e não hesitou em recomendar aos seus seguidores no Twitter.
A opinião do desenvolvedor japonês é breve, mas nos deu a desculpa perfeita para trazer este capítulo para esta matéria. Kojima destacou o que diferencia Monday de outras histórias em que o dia recomeça repetidamente até chegar a um final geralmente positivo para os envolvidos. Isso não acontece aqui. "Quando a causa do loop é finalmente revelada no final, é muito comovente", ele relembrou.
Diferentemente de Feitiço do Tempo (1993), uma comédia em que Bill Murray inicialmente usa o loop temporal para fins egoístas antes de aproveitá-lo como uma oportunidade de crescimento pessoal, Monday apresenta o oposto: um ciclo onde não há espaço para segundas chances, apenas tragédia. O loop é agonizante, inescapável e profundamente humano. Cada repetição não busca arrancar um sorriso, mas sim revelar a dor de sua protagonista, Pam. Seu desespero, seu cansaço e sua lucidez a tornam uma personagem cativante que os fãs não esqueceram. É também impressionante como, em apenas 50 minutos, vemos Mulder sucumbir a uma crescente sensação de déjà vu, o que contribui para fazer do episódio uma daquelas histórias de loop temporal que você fica ansioso ao assistir.
É um recurso narrativo que costuma funcionar muito bem em ficção científica. Quem não se lembra do episódio de Stargate SG-1 em que MacGyver e Kratos jogam golfe através do portal? Mas, como dito anteriormente, raramente a resolução parece tão triste, humana e comovente, como Kojima a descreveu.
Monday também lembra os espectadores do talento de Vince Gilligan para esse tipo de narrativa psicologicamente carregada, algo que ele explorou plenamente em Breaking Bad com a transformação moral de seus personagens, especialmente Walter White. Neste episódio, vemos essa perspectiva pelos olhos de uma mulher que viu todos morrerem centenas de vezes sem que ela pudesse fazer nada para ajudar.
Arquivo X está disponível no Disney+.
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Fonte original: IGN Brasil.

