A mudança de estilo artístico de Borderlands, feita de última hora, custou à Take-Two 50 milhões de dólares a mais em custos de desenvolvimento e atrasou o lançamento do jogo em um ano, mas, sem ela, a franquia — hoje de sucesso — teria fracassado logo de cara. Isso é o que afirma o CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, que, em uma entrevista com David Senra sobre sua carreira, disse que sua aprovação da mudança de última hora e dos custos extras associados foi “uma decisão nada óbvia” que ninguém mais teria tomado, mas sua confiança nos desenvolvedores foi recompensada com uma nova franquia de sucesso. “Ainda não tínhamos recuperado a empresa e tínhamos um capital muito limitado”, começou Zelnick, falando de como a Take-Two era depois que ele assumiu a empresa em 2007. Na época, Borderlands estava previsto para ser lançado em 2008 com um estilo artístico realista, mas então Zelnick foi solicitado a aprovar uma mudança significativa, com o jogo basicamente pronto, que o levaria a ser reconstruído com um estilo artístico cel-shaded, semelhante ao de desenhos animados. “Estávamos desenvolvendo um jogo que estava prestes a ser lançado dois meses depois, ou seja, já estava pronto e já tínhamos gasto muito dinheiro”, continuou Zelnick. “Então, o chefe da divisão entrou no meu escritório e disse: ‘Olha, simplesmente não achamos que isso seja bom o suficiente; achamos que erramos feio, que o estilo artístico não é adequado e que não se destaca. Então, queremos refazer o jogo.’ Eu perguntei: ‘O que isso significa?’ Ele respondeu: ‘Significa 50 milhões de dólares em custos adicionais de desenvolvimento e mais um ano’. O jogo já estava com um cronograma de lançamento, que já tínhamos anunciado. E eu me aprofundei no assunto. Quero dizer, eu não dou respostas precipitadas. Eu me aprofundei e fiz minha lição de casa. No final das contas, apoiei a decisão. E aquele título se tornou Borderlands. Se não tivéssemos feito isso, Borderlands não teria sido um sucesso. Essa foi uma decisão nada óbvia, e posso garantir que ninguém mais no ramo teria feito isso”. Por que mais ninguém teria tomado a mesma decisão? “Porque era uma loucura”, explicou Zelnick. “Eles teriam dito que o jogo estava pronto e lançado. Passassem para o próximo projeto. Não vou gastar 50 milhões de dólares para refazer a porcaria do jogo com outro estilo artístico. E também não tenho nenhuma garantia de que isso vá funcionar”. Zelnick disse que teve que confiar na intuição dos desenvolvedores da Gearbox. “Essa é a história”, acrescentou. “Sejam os mais criativos, sejam os mais inovadores, sejam os mais eficientes. Contratei as pessoas mais criativas. Eu disse: ‘Vocês têm que seguir suas paixões. Nós vamos apoiá-los’. Eles vieram e disseram: ‘Esta é a nossa avaliação. Esta é a nossa paixão. Você vai nos apoiar?’, e eu disse: ‘Sim'”. O resto, como se costuma dizer, é história. A franquia de jogos de looter shooter já vendeu mais de 100 milhões de cópias pelo mundo. Embora tenha dado certo no final, a mudança no estilo artístico causou muito estresse a várias pessoas. Em uma entrevista ao Game Informer, o diretor criativo de Borderlands 4, Graeme Timmins, disse que considerou a ideia “uma loucura total”. “Já vínhamos trabalhando no jogo há vários anos naquela altura, e não só mudamos o estilo artístico como basicamente descartamos todos os níveis — acho que só o Trash Coast e, tipo, mais um sobreviveram — todo o resto, basicamente refizemos do zero”, disse ele. “De janeiro até, tipo, agosto ou setembro daquele ano, todos os designers de níveis — todos sob a minha responsabilidade — reconstruímos o jogo inteiro para se adequar ao novo estilo artístico da época. Foi um período incrivelmente intenso, e ficávamos pensando: ‘O que diabos estamos fazendo?’”. Com o lançamento de Borderlands 4 já concretizado e as contínuas atualizações, não está claro o que vem a seguir para a franquia. Borderlands 5 parecia ser o próximo passo, mas Zelnick admitiu que as vendas não atingiram as expectativas. Em nossa review, Borderlands 4 recebeu a nota 7.5/10, com a seguinte descrição no veredicto: “Borderlands 4 não reinventa a roda, mas traz elementos novos que são bem vindos e bem implementados. O mundo aberto traz conteúdo o suficiente para prender sua atenção por boas horas, ainda mais pela adição de seu veículo pessoal. Mesmo assim, senti falta de algo mais substancial se tratando da narrativa. Os generais são mais interessantes que o próprio Senhor do Tempo, que apenas possui um design legal. É importante lembrar que não há uma justificativa plausível para o desempenho do jogo. Mesmo assim, neste primeiro mês desde o lançamento, houve patches que melhoraram substancialmente a taxa de frames, algo que nunca nem deveria ter sido um problema para um jogo com gráficos “simples”. Se Borderlands 4 vale os R$ 379,90 que estão sendo cobrados? Não sei dizer. Alguns fãs da franquia têm louvado o jogo e dizendo que a gameplay chegou no seu ápice, o que não me surpreende por ser realmente muito divertida. Para quem busca desligar o cérebro, pegar armas maneiras e dar quantidades sinistras de dano, talvez o novo capítulo da franquia seja exatamente o que você está buscando”. Inscreva-se no canal do IGN Brasil no YouTube e visite as nossas páginas no Facebook, Twitter, BlueSky, Threads, Instagram e Twitch!
Fonte original: IGN Brasil.

