Eu estou há muito tempo sem jogar um jogo da franquia Assassin’s Creed com plena atenção e foco, apenas porque a série perdeu minha atenção ao longo dos anos. Mas, se existe um jogo que eu goste muito na sétima geração de consoles, esse jogo é Assassin’s Creed 4: Black Flag. Tenho memórias muito vivas de jogar o game no meu Xbox 360, de fazer parkour por Havana, de me perder nas batalhas de navio e muito mais.
Agora, 13 anos depois do lançamento original de AC4 Black Flag, retorno à franquia com um sorriso enorme depois de jogar Assassin’s Creed Black Flag Resynced, um remake que possui o equilíbrio perfeito entre novidade e fidelidade.
A convite da Ubisoft Brasil, pude jogar aproximadamente 3 horas do jogo e posso dizer que saí do teste bem impressionado e empolgado, mas não livre de preocupações com o lançamento do jogo.
Logo de cara, ao assumir controle de Edward Kenway após 13 anos da primeira vez, o elemento que mais me chamou atenção foram os gráficos. Eu sou uma pessoa completamente desapegada com gráficos, porque me importo muito mais com gameplay e narrativa, mas tenho que admitir que Assassin’s Creed Black Flag Resynced tem potencial de ser um dos jogos mais lindos da geração. A água, a natureza, os visuais da chuva, tudo é bem bonito e impressionante, principalmente quando puxo na memória os visuais do jogo original e vejo a evolução que os videogames tiveram.
De volta ao gameplay, a sessão inicial é bem semelhante ao que vi original, o que demonstra que ser fiel ao game de 2013 foi uma real preocupação da Ubisoft. Mesmo com esses momentos da história sendo idênticos, as novidades do gameplay brilham. Durante a perseguição de Edward a Duncan Walpole, assassino que estava a caminho de Havana, vemos elementos do novo sistema de parkour, que é muito mais preciso que antigamente e dá maior controle ao personagem. Existe muita coisa nova nos saltos e manobras de Edward, mas ainda há uma sensação nostálgica que permeia não somente o parkour, mas todos os elementos do jogo.
Um combate mais “manual”
Foi durante essa perseguição que fui apresentado ao novo sistema de combate, que me lembrou muito os novos God of War. Aquele ciclo vicioso de ataque e contra-ataque de 2013 foi deixado de lado para um sistema também baseado em ataque e contra-ataque — isso pode soar esquisito, eu sei — pode parecer que os jogos têm combates iguais por ter uma filosofia muito semelhante de gameplay, porém, o segredo da mudança e novidade é o parry. Antes, nos jogos de Assassin’s Creed, o ciclo de combate era: esperar um ataque, apertar bola ou B para contra-atacar, finalizar o oponente e fim. Agora, mentalize alguma luta contra um inimigo padrão de God of War Ragnarok. Você trava mira no oponente, ataca com R1, espera um ataque dele para se esquivar ou dá parry até matá-lo. E é assim que as coisas funcionam em Assassin’s Creed Black Flag Resynced.
É um combate mais de ação, com diversas mecânicas, com o uso das pistolas e outros equipamentos avançados de Edward. O parry cumpre papel central, afinal, agora todos os inimigos possuem uma barra de defesa e, nesse caso, a defesa é o melhor ataque. As lutas são divertidas, variadas, oferecem muitas possibilidades com os diversos recursos de Edward e, em alguns momentos, são até mesmo eletrizantes. Atacar um navio e depois embarcar nele para lutar com o restante da tripulação é uma sensação bem emocionante.
Além disso, agora temos ataques “especiais”. Semelhante aos jogos RPG da franquia, Assassin’s Creed Black Flag Resynced usa os gatilhos do controle combinados com botões de ação como uma roda de “habilidades”. Por exemplo, ao apertar RT e X, Edward dá uma rasteira no inimigo e assim é possível finalizá-lo rapidamente. Também é assim que se executam outros ataques, como disparo rápido, e se usam outros equipamentos, como bombas de fumaça para fugir de lutas mais difíceis.
No entanto, é no combate que mora minha maior preocupação com o jogo. Obviamente, testei uma build ainda em desenvolvimento e é possível que esse problema seja solucionado antes do lançamento, porém, as animações me incomodaram. Algumas estão bem bugadas, outras fazem parecer que Edward está batendo no vento e acertando inimigos, e pioram quando a luta acontece em alguma escada, o que resulta em mais animações esquisitas. Em nenhum momento isso prejudicou por completo minha experiência, mas é um item que afeta a imersão no jogo e que me preocupa porque passamos da metade de maio e o jogo tem lançamento marcado para o começo de julho, e não sei se é tempo suficiente para consertar e aparar certas arestas.
Um dos grandes focos da franquia Assassin's Creed sempre foi o stealth, e aqui o jogo não peca em nada. É possível andar agachado — elemento inédito, por incrível que pareça —, se esconder em moitas ou nas multidões, assobiar para chamar atenção e mais outros recursos que já estavam presentes anteriormente. A furtividade do jogo está mais precisa graças aos avanços tecnológicos dos games e não é tão fácil assim se manter despercebido dos demais inimigos, mas também não é muito difícil; a Ubisoft encontrou um bom balanço no stealth do game.
Como mencionado anteriormente, as missões continuam muito semelhantes, e isso não é um problema, porque as novidades moram em outros pontos do jogo — e, mesmo assim, a campanha ainda guarda algumas surpresas. Dentro de Havana é possível realizar muitas atividades, desde o lendário salto de fé, contratos de assassinato — basicamente um contrato de caçada —, procurar baús, estátuas maias e partituras musicais que liberam novas músicas para a tripulação cantar.
Se você é um jogador complecionista, saiba que terá muita coisa para explorar e coletar ao longo do game. Em um dos momentos de gameplay, fui para uma ilha dominada por militares espanhóis, e nela tinha um armazém trancado, e tive que recuperar a chave para saquear o local. Essa ilha podia ser só mais um local, mas ela escondia uma lore de um crocodilo usado por um dos líderes militares que estava presente no local e era uma das caçadas do game. Isso mostra o potencial de cada localização ter algo único que transforma a exploração do jogo em um momento singular e que foi um dos meus momentos favoritos durante o teste — eu facilmente poderia passar horas e horas explorando os mares do Caribe.
Ahoy, piratas!
Porém, meu ponto favorito no remake foi a navegação. Lembro muito bem de cada combate de navio no jogo original e, logo quando assumi o comando do navio no começo do jogo e pude participar de algumas batalhas navais, parecia que aquele era um jogo extremamente familiar para mim. Nada está muito diferente do que conheci em AC4 Black Flag, mas muita coisa está melhorada. Novos canhões, maior precisão no tiro, as habilidades únicas dos novos personagens que atuam como comissários nos barcos, tudo traz uma camada nova, mas mantém a fidelidade do que já conhecia no jogo original.
As batalhas navais ainda podem ser desafiadoras como foram no passado, mas agora existem muito mais recursos para você combater os inimigos.
Também ligados aos navios, os novos personagens possuem habilidades únicas que podem facilitar e muito os embates. Pude jogar a missão de Lucy, uma das novas comissárias do navio, e ela possuía a habilidade de melhorar a defesa do navio enquanto executávamos uma defesa, reduzindo bastante o dano sofrido.
Falando na Lucy, pude jogar a missão em que a personagem se junta à tripulação de Edward, e o roteiro é bem fraco. A introdução da personagem não diz nada e não me fez ter qualquer vínculo de começo com ela ou sua história. Mas isso era apenas a introdução e há bastante espaço para crescimento dela e dos demais novos personagens.
Ainda sobre os mares do jogo, muitas vezes será necessário mergulhar, e a Ubisoft caprichou muito nessa parte. Mergulhar nos jogos às vezes é caótico e fases de água às vezes são ligadas a traumas ou momentos de muita dificuldade — estou falando de você mesmo, Templo da Água de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Porém, nesse quesito, a Ubisoft deu aula e criou uma das melhores mecânicas de mergulho que já vi nos videogames. É extremamente fácil e preciso controlar Edward nas águas do Caribe e, novamente, os gráficos deixam as coisas ainda mais bonitas debaixo d'água.
A volta por cima da Ubisoft?
Tudo que vi e joguei ao longo das três horas de jogo me deixou extremamente satisfeito e contente com o que pode vir com Assassin’s Creed Black Flag Resynced. Combate por terra ou mar, novos locais de exploração, gráficos incríveis e, como mencionado no título, o equilíbrio perfeito de novidade e fidelidade. O game tem potencial de ser mais uma das joias de 2026.
Não dá para negar que a Ubisoft teve e ainda tem momentos difíceis nos últimos anos, mas sinto que esse pode ser um novo começo da empresa, que nunca deixou de fazer ótimos jogos, mas ficou conhecida por jogos incríveis, e este pode ser a volta dos jogos incríveis da Ubisoft.
É importante lembrar que, mesmo se for incrível como o que vi nessa demonstração, ainda é um remake e um jogo menos desafiador de se desenvolver. Se a expectativa de um jogo incrível se cumprir, ainda há a necessidade de inovar com algo 100% inédito, caminho que a Capcom traçou após período de baixa no começo dos anos 2010 e que pode ser excelente inspiração para a Ubisoft.
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Fonte original: IGN Brasil.

