Dezoito anos depois do lançamento original, Aion está de volta. E a versão que pude ver durante o Play Days do Summer Game Fest 2026 deixa claro que a NCSoft está reconstruindo o jogo para que ele seja do jeito que os desenvolvedores sempre imaginaram que poderia ser. Aion 2 está sendo desenvolvido na Unreal Engine 5 e, segundo a própria equipe, essa tecnologia é o que finalmente permite realizar uma visão que simplesmente não era possível de executar com os recursos da época do primeiro jogo. Depois de ver a versão demonstrada, entendo exatamente o que eles queriam dizer.
Oito classes para todos os estilos de jogo
O ponto de partida de qualquer MMORPG é a escolha de classe, e Aion 2 oferece oito opções no lançamento: Gladiator, Templar, Assassin, Ranger, Sorcerer, Spirit Master, Cleric e Chanter. São arquétipos que cobrem os papéis clássicos do gênero como tank, dano físico, dano mágico, suporte e cura, com espaço suficiente para diferentes abordagens dentro de cada linha. Não tive tempo de explorar todas em profundidade, mas a variedade já é perceptível mesmo na apresentação inicial de cada uma.
Personalização que vai além do esperado
Se tem uma área em que Aion 2 claramente decidiu ir longe, é a personalização de personagem. O nível de detalhe é genuinamente impressionante: é possível ajustar a cor do cabelo usando um seletor completo de cores, definir o brilho dos fios, combinar mais de uma cor no mesmo penteado e escolher entre uma quantidade enorme de estilos. O mesmo cuidado se aplica a olhos, sobrancelhas, nariz, boca e formato do rosto. Dá para construir o personagem exatamente como você imagina, sem depender de predefinições genéricas.
A personalização também passa pelo tipo físico e pela voz do personagem, e há a opção de compartilhar o visual criado com outros jogadores. Acessórios como colares e brincos completam o conjunto. Mas o elemento que mais me chamou atenção e que qualquer veterano de Aion vai reconhecer imediatamente são as asas.
As asas sempre foram uma marca registrada da franquia, e em Aion 2 elas chegam renovadas em todos os sentidos. A variedade é absurda, o visual é deslumbrante, e agora elas também carregam atributos próprios: dependendo da asa escolhida, o personagem ganha bônus de defesa, ataque ou outras vantagens. O sistema ainda permite separar a estética da funcionalidade: você pode equipar as asas com os melhores stats para sua build e aplicar a skin de outra que você considera mais bonita. Uma solução elegante que o gênero adotou bem.
Além das asas, o jogo conta com mais de 200 pets disponíveis no lançamento, e eles também funcionam como montarias. O detalhe que me surpreendeu: ao encontrar certas criaturas no mundo aberto e derrotá-las, você as captura, um sistema que lembra vagamente a mecânica de Pokémon aplicada a um MMORPG. Cada pet pequeno pode ser escalado para funcionar como montaria, e investir nos pontos relacionados a eles melhora atributos como velocidade de deslocamento.
Um mundo aberto construído para ser explorado
A movimentação pelo mundo de Aion 2 combina ferramentas que fazem sentido dentro da proposta do jogo. O Windstream é uma corrente de vento que facilita a travessia entre áreas distantes do mapa, algo essencial em um mundo aberto do tamanho apresentado. O voo com as asas continua central e as montarias garantem velocidade nas rotas mais terrestres.
Fora a exploração em si, o mundo aberto conta com minigames espalhados pelo mapa e um sistema de crafting que vai além do cosmético: a progressão de gear do personagem passa inteiramente pela fabricação de equipamentos e o crafting também funciona como um dos motores da economia multiplayer do jogo. Isso sugere um ecossistema em que a cooperação entre jogadores tem peso real, não apenas nas dungeons, mas na forma como os itens circulam entre a comunidade.
Mais de 200 dungeons, com quatro tipos diferentes
O conteúdo instanciado de Aion 2 é ambicioso no volume e na variedade. São mais de 200 dungeons previstas para o lançamento, divididas em quatro categorias com propostas bem distintas entre si.
As Sealed são focadas em puzzle, uma quebra interessante dentro de um gênero que raramente prioriza esse tipo de desafio. As Nightmare são experiências solo, com o jogador enfrentando um boss em um confronto direto de 1x1. As Expedition escalam para quatro jogadores contra um boss, e as Sanctuary são raids de oito jogadores: o conteúdo de maior escala disponível, que a equipe não chegou a demonstrar durante o evento.
Pude acompanhar uma sessão de Expedition ao vivo, e o que me chamou atenção foi o design das mecânicas de boss. No encontro que vi, o boss aplicou um debuff em um dos jogadores que funcionava como uma marcação de área: toda a equipe precisava se manter próxima desse jogador para absorver o efeito. Isso comprimia o espaço de movimentação do grupo e criava uma tensão diferente da que se vê em encontros mais convencionais. Se essa filosofia de design se mantiver nas outras dungeons, Aion 2 pode ter um conteúdo cooperativo com mais personalidade do que o habitual no gênero.
O sistema de recompensas também tem um mecanismo que garante loot após repetições suficientes da mesma dungeon, um alívio para quem já sofreu com o RNG implacável de outros MMORPGs.
Visual de dar inveja e performance promissora
Aion 2 na Unreal Engine 5 é simplesmente bonito de um jeito que poucos jogos do gênero conseguem ser. O que aparece nos trailers é o que aparece na tela. Cores vivas, ambientes extremamente detalhados, uma qualidade visual que impressiona mesmo quando você está apenas atravessando o mapa. Não houve discrepância entre o material de divulgação e o que vi rodando ao vivo durante o evento.
Perguntei sobre os requisitos mínimos e a equipe informou que o alvo de otimização é rodar o jogo em uma 1060 Ti, o que, para mim, parece uma tarefa bem difícil. Se conseguirem entregar isso com a qualidade gráfica demonstrada, será um feito e tanto, e, claro, abriria o jogo para uma base de jogadores muito maior do que se esperaria para um título com esse nível visual.
O que ainda não sabemos
Dois pontos importantes ficaram em aberto durante o evento. O modelo de monetização não foi detalhado: a equipe confirmou que haverá uma moeda interna para compra de cosméticos e itens, mas os detalhes sobre o que estará disponível, e como, devem ser revelados em uma apresentação prevista para ainda em junho. Da mesma forma, o modelo de negócio completo, incluindo se haverá algum tipo de assinatura ou compra do jogo, não foi esclarecido.
O que já está confirmado e vale destacar: Aion 2 terá localização completa para o português do Brasil e servidores em São Paulo, dois pontos que fazem diferença real para o público brasileiro, tanto em termos de acessibilidade quanto de latência.
A franquia volta com ambição clara e tecnologia à altura. Se a execução no lançamento corresponder ao que foi apresentado, Aion 2 tem tudo para ser um dos lançamentos mais relevantes do gênero nos próximos anos.
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Fonte original: IGN Brasil.

