Coffee Talk Tokyo, novo título da franquia de jogos narrativos da Toge Productions, será lançado na próxima quinta-feira (21) e trará consigo novos personagens, histórias de vida e bebidas deliciosas. Ambientado em uma versão fantástica de Tóquio, o jogador assume a posição de dono e barista de uma cafeteria noturna, que recebe diferentes clientes todas as noites, desde humanos até criaturas do folclore japonês. Para embarcar nessa nova jornada e entregar algo novo, sem perder a essência dos jogos já conhecidos e amados pelos fãs, a roteirista principal Anna Winterstein revelou ao IGN Brasil que a equipe de desenvolvimento teve um cuidado especial durante todo o processo de criação.
Coffee Talk Tokyo, como destacou Winterstein durante a entrevista, foi criado com a intenção de preservar as conversas íntimas e acolhedoras, com “raças fantásticas como metáforas para situações do mundo real” e “questões realistas com as quais os jogadores possam se identificar”. Manter o ponto central emocional era o objetivo principal, sem evitar temas difíceis, “embora a experiência deva ser, no fim das contas, inspiradora”. “Tudo isso foi realmente muito emocionante” Não é a primeira vez que Winterstein trabalha na franquia. A roteirista também participou do desenvolvimento de Coffee Talk Episode 2: Hibiscus & Butterfly, lançado em 2023. A escritora comentou que, quando entrou para a equipe do segundo jogo, uma boa parte do trabalho estava concluída e uma ideia geral do projeto já estava determinada, o que acabou tornando o seu papel “mais restrito”. “Na verdade, foi uma situação bem legal para mim, porque eu peguei basicamente as histórias dos personagens que não seriam usados inicialmente, e isso me deu bastante liberdade para fazer o que eu quisesse com eles”, revelou Winterstein. “Mas acho que o que me faltou um pouco foi toda essa parte no início do processo em que você começa a definir os temas ou os arcos narrativos, conversando também mais sobre os diferentes aspectos do jogo, porque obviamente a escrita é muito central para Coffee Talk, mas ele também tem uma identidade visual muito forte. Então, acho que no Episode 2, meu papel foi mais restrito”. Em comparação ao seu trabalho em Coffee Talk Tokyo, no qual atuou como roteirista principal, Winterstein disse que teve a oportunidade de estar presente durante todo o processo e revelou o quão emocionante foi acompanhar os outros roteiristas que participaram do projeto. “Foi muito legal poder criar um elenco de personagens, vê-los ganhar vida com os visuais e acompanhar outros roteiristas. Para os personagens que aparecem bastante durante o jogo, como Vin, todos nós acabamos escrevendo pequenas partes deles. Mas costumamos escrever o jogo por dias. Então, um roteirista escreve um dia, e isso significa que certos personagens acabaram pertencendo mais a determinados roteiristas. Foi emocionante ver como eles pegaram o ponto de partida e, de certa forma, acrescentaram suas próprias experiências pessoais e visões. Tudo isso foi realmente muito emocionante”. Histórias e personagens complexos, tratados com sensibilidade e profundidade Ao citar Vin, a roteirista revelou também que, apesar de todos os personagens terem seus desafios pessoais, a pessoa que trabalha como ajudante na cafeteria noturna foi a mais complexa de escrever. “Vin tem uma presença muito forte na história. Um personagem que aparece com tanta frequência, é preciso encontrar um equilíbrio, porque você quer que a história cause impacto. Mas pode chegar a um ponto em que essa pessoa chame atenção demais, e não queríamos que o jogo fosse apenas ou principalmente sobre Vin”. Winterstein continuou ao dizer que Vin tem uma história de vida bastante significativa, que se relaciona com várias experiências difíceis que pessoas passam na vida real. Com isso em mente, era importante para a escritora garantir que o tema fosse tratado com sensibilidade, sem que soasse “falso”. “No fim das contas, foi também equilibrar isso com a personalidade, que é bastante alegre, bastante amigável e bastante aberta. E garantir que a gente, de certa forma, encontrasse o equilíbrio certo entre alegria e seriedade”. A influência da cultura japonesa em Coffee Talk Tokyo Por ser ambientado em uma versão fantasiosa da cidade mais populosa do Japão, Coffee Talk Tokyo teve, claro, forte influência da cultura japonesa. É possível notar isso tanto nos personagens yokai quanto nas conversas dos clientes que visitam a cafeteria para apreciar uma boa bebida e construir relações. Apesar disso, o ponto principal da franquia, de acordo com Winterstein, é “contar histórias com apelo universal” e, mesmo lançando um jogo ambientado em Tóquio, a equipe espera conseguir envolver jogadores de todo o mundo, até aqueles que não estão particularmente familiarizados com a cultura do país asiático. Mas como garantir que Tóquio não pareça uma escolha acidental? Essa foi uma questão bastante discutida entre os roteiristas do jogo. Para isso, todas as experiências serviram de inspiração para a criação dos novos personagens. “Definitivamente não queríamos que a escolha de Tóquio parecesse apenas acidental, e queríamos que as histórias parecessem vividas, como se tivessem ocorrido em um espaço e momento específico no tempo. Entre os roteiristas, provavelmente sou a que tem menos familiaridade com o Japão”, explicou a escritora. “Mas nosso roteirista Kimitake é japonês, e a nossa roteirista Jolie morou no Japão por vários anos. Então, trouxemos tudo isso para a discussão. Todas as nossas experiências em primeira mão sobre como é estar em Tóquio, sobre as pessoas que conhecemos que moram lá, sobre as questões que observamos, os temas sociais etc”. Assim, a equipe foi capaz de criar personagens inspirados na mitologia japonesa que funcionam como metáforas para uma experiência cotidiana no Japão, mas sem deixar de representar situações com as quais pessoas de qualquer parte do mundo possam se identificar ao jogar. “E é uma piada dizer que pais sempre, desculpe a linguagem, te ferram um pouco” Durante a entrevista, foi comentado sobre como a parentalidade está fortemente presente na narrativa de Coffee Talk Tokyo, com diferentes personagens abordando o tema de maneiras diversas (para evitar possíveis spoilers, não entrarei muito a fundo sobre quais foram citados). Sobre isso, a roteirista comentou que não havia percebido até aquele momento, mas reconheceu que é algo real. Como revelado pela própria escritora, os personagens citados durante a entrevista foram criados por diferentes roteiristas. Um dos principais motivos para o tema estar tão presente na cabeça da equipe foi a empolgação de criar e incluir uma personagem criança no jogo. “Nessas interações cotidianas aconchegantes, as crianças trazem algo muito único para a mesa. Elas são muito diretas. São muito ingênuas em alguns aspectos, mas também, às vezes, notavelmente perspicazes, quase por acaso. E nós meio que queríamos isso”, disse Winterstein. Aqui, estamos falando de Erika, filha da humana Emi e do duende Ash. A personagem, apesar de ser apenas uma criança, contribui bastante para os diálogos presentes em Coffee Talk Tokyo, além de ter uma lore única que, no fim, acaba interessando a todos que visitam a cafeteira. “Uma vez que Erika estava no jogo, pareceu natural começarmos a falar sobre esses assuntos. Mas também há o fato de que o Japão tem modelos parentais em constante mudança no momento”, complementou a roteirista principal. “Acho que estão passando por isso de uma maneira muito específica. Mas há bem poucos, por exemplo, pais/maridos que ficam em casa cuidando dos filhos. [...] Acho que todas essas estruturas estão sendo bastante renegociadas, então queríamos lançar uma luz sobre isso”. Para Winterstein, falar sobre como fomos criados é algo fundamental para “quem alguém é como pessoa”, e a narrativa que envolve Erika e seus pais acabou soando muito familiar para a equipe, que acabou colocando também — mesmo que de forma inconsciente — parentalidade em pontos importantes da história de outros personagens do jogo. “E é uma piada dizer que pais sempre, desculpe a linguagem, te ferram um pouco. Acho que explorar as maneiras como isso acontece, apesar das melhores intenções das pessoas, e como talvez em uma família como a da Erika haja uma tentativa muito forte de não fazer isso, com pais que tentam escolher o melhor para seus filhos, soou muito familiar para todos nós [roteiristas]. O que podemos esperar do futuro da franquia Coffee Talk? Quando questionada pelo IGN Brasil sobre o futuro da franquia, Winterstein disse que ainda não há novidades, já que o foco está em Coffee Talk Tokyo, que será lançado amanhã (21). “Sinceramente, gostaria de poder dar uma resposta adequada a essa pergunta, mas a verdade é que ainda não sei, porque temos estado tão empenhados em lançar este jogo e em torná-lo, obviamente, o melhor jogo possível, que ainda não pensamos muito além disso. Então, pode ser um pouco decepcionante, mas a resposta é realmente: ainda não sei”. Mesmo assim, a roteirista compartilhou lugares que imagina como cenário para futuros capítulos da franquia: "Antes de mais nada, quero deixar claro que tudo o que eu disser é apenas minha opinião pessoal. Não vou me comprometer com nada disso!", afirmou Winterstein, em tom de brincadeira. “A cafeteria é um espaço onde pessoas de origens muito diferentes se encontram por um tempo e têm interações que não teriam necessariamente em suas vidas cotidianas, e isso lhes dá uma oportunidade para essas conversas. Então, acho que explorar outros espaços liminares como esse poderia ser muito legal. E não precisaria necessariamente ser uma cidade grande. Mas as grandes cidades são incríveis para esse cenário, por causa da variedade de pessoas que coexistem lá. Uma cidade grande como Londres, que eu conheço muito bem, seria bem divertida para mim, pessoalmente. Mas também, Paris é uma cidade que às vezes tem a imagem de ser um pouco antiquada. Mas, ao mesmo tempo, tem bastante vida. Acho que, na Europa, porém, provavelmente o cenário mais adequado seria algo como Berlim, porque tem uma história enorme, uma comunidade criativa enorme e bastante vida por lá. “Mas acho que, saindo das grandes cidades e talvez da perspectiva mais ocidentalizada, eu teria bastante interesse em ambientar a história também em locais de férias, por exemplo, porque esses são lugares onde as pessoas vão passar um tempo e acabam explorando diferentes aspectos de si mesmas. Mas também poderia ser muito divertido trabalhar com escritores de países africanos ou da América do Sul e ver como eles se sentiriam em relação a esses temas e o que teriam a dizer. Porque eu sei que, por exemplo, gosto muito da literatura sul-americana, e o folclore, os elementos fantásticos são fascinantes. Adoraria ver o que poderia ser feito a partir de algo assim”, disse a escritora. Com Coffee Talk Tokyo, desenvolvedores querem explorar novas culturas enquanto mantém essência original da franquia “Fazer com que os jogadores se sintam um pouco vistos e esperançosos” Sobre o que esperar que os jogadores sintam ao jogar Coffee Talk Tokyo, a roteirista afirmou que o mais importante é “fazer com que os jogadores se sintam um pouco vistos e esperançosos”. “Espero que, nas histórias com as quais eles se identifiquem, possam encontrar um senso de reconhecimento, mas também que, no final das contas, possam sair do jogo sentindo-se um pouco mais animados e um pouco melhor em relação a isso. É isso que esperamos”, concluiu. O IGN Brasil teve a oportunidade de jogar Coffee Talk Tokyo antes de seu lançamento. Em nossa review, o jogo recebeu a nota 9/10, com a seguinte descrição no veredicto: “Coffee Talk Tokyo é um jogo narrativo que se inspira em tópicos relevantes do mundo real para criar diálogos que alternam entre o divertido e o profundo, com aquela pausa necessária para apreciar uma bebida gostosa. Mesmo entre pedidos vagos e desenhos em latte que fazem o jogador duvidar de suas habilidades como barista, a visual novel garante horas de conversas com personalidades únicas, tudo rodeado por trilha sonora tranquila”. Inscreva-se no canal do IGN Brasil no YouTube e visite as nossas páginas no Facebook, Twitter, Instagram e Twitch! Siga Allana Aristides no Instagram.
Fonte original: IGN Brasil.

