Um Final Fantasy HD-2D por turnos, né? É difícil acreditar que seja real. Como alguém que cresceu com os Final Fantasy e JRPGs das antigas, também é difícil acreditar que pude jogar Final Fantasy Resonance por umas três horas na Square Enix para uma exclusiva no IGN. Das dificuldades de terminar Final Fantasy 4 e 6 quando eu tinha cinco anos de idade às centenas de horas que continuo a investir com felicidade em Final Fantasy 16 e tudo no meio do caminho, a franquia continua a moldar quem eu sou. É incrível ver como a série volta às suas origens aqui em 2026, com combate por turnos e uma arte pixelada expressiva, resultando em um RPG completo no estilo tradicional. Tenho muitos detalhes para analisar, mas vou começar dizendo que, em um ano repleto de jogos promissores, Final Fantasy Resonance é aquele pelo qual estou mais ansioso.

Resonance acompanha o protagonista Rain, um cavaleiro de bom coração do Reino de Grandshelt que mantém uma relação complicada com seu pai, que também é o rei. Logo no início, seu grupo de amigos se junta à luta para proteger os cristais mágicos do mundo da destruição causada por um grande vilão chamado Veritas das Trevas. Esse grupo inclui Lasswell, um cavaleiro pragmático e melhor amigo de infância de Rain; Lid, uma aspirante a mestre engenheira que segue os passos de todos os Cids que vieram antes dela; e Fina, uma amnésica que é uma invocadora ligada aos cristais que preservam o mundo. É um cenário bem ao estilo Final Fantasy, e se você já jogou Brave Exvius, tudo isso vai soar familiar.

Na demo que joguei, pude explorar um pouco do mundo aberto, que é dividido em vários continentes separados por mares, visitar a cidade de Dwarves Forge, onde você é recebido com um caloroso “Lali-ho”, e completar uma masmorra com a história completa, incluindo uma grande batalha contra um chefe. À primeira vista, parece uma aventura mais leve e colorida, e a dublagem mais divertida também reforça essa ideia de um drama mais alegre. Também me lembra os recentes remakes de Dragon Quest em HD-2D em termos de tom, e Resonance enfatiza bastante seu lado engraçado, embora, como tudo em Final Fantasy, eu tenha certeza de que há um lado mais sombrio por vir.

Na masmorra que concluí, tive que rastrear Borin, um mestre engenheiro por quem Lid nutre uma certa afinidade, já que ele desapareceu de Dwarves Forge. Os anões dizem que ele foi sequestrado, e você já sabe que ele está sendo levado por causa de seus talentos e sendo coagido a realizar alguns atos malignos misteriosos. Isso leva você a Mobliz Shipyard, uma masmorra labiríntica que contém alguns quebra-cabeças fáceis, cenas de enredo, uma sequência de fuga cronometrada e uma batalha de chefe contra uma broca mecanizada enquanto você viaja em um trem de carga em alta velocidade.

Então, vamos falar sobre o combate em si. Resonance não usa um sistema de ATB, optando, em vez disso, por uma ordem de turnos direta exibida na parte superior da tela. Os inimigos têm um medidor de atordoamento que aumenta a cada golpe, e sofrem mais dano de atordoamento quando você ataca seu ponto fraco elemental. É como uma versão por turnos do que vimos em Final Fantasy 13 ou no Remake de Final Fantasy 7. As afinidades elementais são uma parte importante do combate, então é crucial ter uma variedade de elementos representados na composição do seu grupo. Mas você não está apenas trocando os membros certos do grupo para cobrir isso; em vez disso, você tem o que é chamado de Visões. Você pode pensar nelas como personas da série Persona que cada personagem pode equipar, todas com seu próprio conjunto de habilidades para trazer poderes adicionais a cada membro do grupo.

Embora muitas das Visões sejam personagens originais, um dos grandes atrativos de Brave Exvius e, aparentemente, de Resonance, é que cada título principal da série Final Fantasy é representado por um personagem icônico que aparece como uma Visão equipável. Por exemplo, Y'shtola, de Final Fantasy 14, é uma Visão que traz feitiços de água e cura, enquanto Cloud, de Final Fantasy 7, vem com uma variedade de feitiços de trovão e ataques físicos poderosos. Eles não substituem os conjuntos de movimentos dos membros do grupo que os equipam, mas, em vez disso, adicionam profundidade ao que eles são capazes de fazer.

Portanto, em uma batalha, você deve tentar atordoar os inimigos, pois os membros do grupo que atordoarem um inimigo ganham um turno extra em uma fase bônus. E se você atordoar todos os inimigos, também poderá invocar uma das quatro Visões equipadas em seu grupo para realizar a Ressonância do tipo “ataque total”, causando uma enorme quantidade de dano ou trazendo o apoio tão necessário em situações difíceis. Quando você combina todos os feitiços e ataques certos com o atordoamento dos inimigos e a invocação das Visões, as batalhas podem se transformar em uma série implacável de grandes números de dano.

A invocação das Visões é acompanhada por essas sequências em CGI personalizadas, como as animações que aparecem ao usar invocações nos jogos mais antigos da série Final Fantasy, mas eu acho isso meio estranho. Não porque não pareça legal, mas porque cria um efeito esquisito entre a repentina exibição da cinematografia em CGI e a incrível arte pixelada do jogo em si. Parece fora de lugar, mas é uma daquelas coisas que você assiste nas primeiras vezes, mas acaba pulando sempre depois disso. No entanto, a arte pixelada das Visões em si é fantástica. Ver a presença etérea delas apoiando cada membro do grupo é incrível, mas também as animações no motor do jogo dão vida a elas de uma maneira nova que você não via nos jogos originais. Além de Y’shtola e Cloud, também vi o Warrior of Light de Final Fantasy 1, Terra de Final Fantasy 6 e Shanttoto de Final Fantasy 11. E mal posso esperar para ver o resto das estrelas da série se manifestarem como Visions em Resonance.

Outro aspecto interessante do combate é que Fina é uma verdadeira invocadora, a única capaz de convocar Espers para a batalha, o que a torna uma integrante do grupo verdadeiramente única. Embora eu tenha usado apenas Siren desde o início, a cantora que cura e dá suporte como nenhuma outra, também consegui recrutar Ramuh, o deus do trovão. Em Resonance, você desbloqueia novos Espers encontrando-os em masmorras opcionais e enfrentando-os em uma difícil batalha. Eles estão escondidos nos cantos do mundo aberto, e essa é uma das maneiras como o jogo recorre à exploração à moda antiga. Você vai querer fazer isso não apenas porque eles parecem legais em combate, mas porque eles ampliam as capacidades de Fina e podem virar o jogo quando convocados para a batalha.

O mesmo vale para as Visões do legado de Final Fantasy. Você encontra santuários no mundo e é presenteado com uma montagem onírica de cenas do próprio Final Fantasy de onde a Visão se origina. Em seguida, você é solicitado a responder a uma série de perguntas relacionadas à história daquele personagem e ao seu jogo antes de desbloqueá-los, como uma espécie de homenagem à série. Não tenho certeza de como as respostas afetam as coisas, mas é um quiz bacana que contextualiza suas respostas para testar sua memória sobre a série (cuidado com os spoilers se você ainda não jogou, já que eles resumem a história e mostram cenas desses jogos).

Muito gira em torno das Visões e de equipá-las estrategicamente para batalha. Cada uma sobe de nível individualmente quanto mais você as usa e possui linhas de progressão para desbloquear feitiços, ataques e bônus passivos adicionais. Embora cada Visão possa ser atribuída a qualquer membro do grupo, há vantagens claras em encontrar uma boa combinação que complemente as habilidades principais de um personagem. Se há um título a ser apontado como inspiração, é Final Fantasy 5. Em uma entrevista com o produtor Keisuke Nakashima e o diretor Hiroto Furuya, que você pode ler no IGN, eles frequentemente citaram FF5 como um de seus favoritos pessoais e o quanto adoravam seu sistema de classes. Esses jogos compartilham um nível de flexibilidade que eu realmente aprecio em RPGs, e espero que isso leve a uma experiência mais profunda que evolua além de simplesmente levar em conta as afinidades elementais.

Como mencionei no início, estou ansioso por Final Fantasy Resonance mais do que por qualquer outro lançamento deste ano até agora. Não porque esteja convencido de que o jogo faz jus ao legado da série, mas porque é uma iniciativa fascinante que muitos de nós esperávamos: um Final Fantasy por turnos com um visual 2D em alta definição muito elegante. Tem músicas com os temas clássicos de FF, toda a trilha sonora de Brave Exvius, além de 33 novas músicas. Octopath Traveler assumiu, de certa forma, o papel de RPG clássico moderno, e se você me conhece, sabe que eu não paro de falar sobre o quanto adoro Octopath 2 e Octopath 0. O nome Final Fantasy, no entanto, traz certas expectativas. E não que eu esteja esperando que ele me toque emocionalmente como Octopath ou os jogos principais da série FF, mas essa ideia de adaptar histórias de jogos para celular para um formato tradicional é tão inteligente para preservar essas histórias e levá-las a um público que não as teria experimentado de outra forma. Quer dizer, fico arrasado só de pensar em perder a história de Octopath 0 (e talvez Nier Reincarnation deva receber o mesmo tratamento).

Mas, por enquanto, parece que Final Fantasy Resonance está trazendo exatamente o que a série precisava há algum tempo. Pelas três horas que joguei, o jogo já me conquistou, e mal posso esperar para jogar mais quando for lançado em 22 de outubro deste ano para PlayStation, Xbox, PC e Nintendo Switch 1 e 2.

Enquanto Resonance não chega, que tal curtir as emoções de Crisis Core: Final Fantasy VII Reunion?

Traduzido por: Matheus de Lucca

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Fonte original: IGN Brasil.